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palavras gentis para todos!
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sábado, junho 14, 2003
 
Greendale Live

Você tem uma semana para ver o Neil Young ao vivo! já foi? ;-)

 
(last) inner joke?

PS. enquanto o dvd não fica completo, o vídeo de rush hour soul aqui pra quem quiser ver (de novo)...

sexta-feira, junho 13, 2003
 
Reflexões metálicas

(Artigo do Arthur Dapiève publicado no O Globo)

Deus é testemunha de que prefiro gastar o meu espaço e o seu tempo escrevendo sobre as coisas das quais gosto. À exceção dos políticos, naturalmente. Há artistas, porém, que são relevantes demais para serem ignorados mesmo quando produzem algo que não (me) agrada. É o caso do Metallica. Após 20 anos de brilhante carreira fonográfica, o quarteto americano de heavy metal é maior do que a música: foi pivô da crise grandes gravadoras versus Napster e serviu de instrumento de tortura para prisioneiros de guerra iraquianos. Não gostei do recém-lançado “St. Anger” (Universal Music). Ainda assim, o CD, acompanhado numa primeira tiragem por um DVD, me pôs para pensar.

Se alguém me perguntar quais são meus três grupos de heavy metal favoritos, eu não titubearei: Black Sabbath, Iron Maiden e Metallica. São de eras geológicas distintas, para usar a analogia daqueles comerciais da MTV. Falta, admito, um representante do período mais recente. Respeito, mas não sou tocado por System of a Down, Queens of the Stone Age ou Deftones. Quanto ao chamado novo metal, ou nu-metal, assino embaixo da feliz definição do Tom Leão: Linkin Park, Limp Bizkit e quejandos são boys bands com guitarras. Além disso, para quem, como nós, ouve Red Hot Chili Peppers e Suicidal Tendencies há duas décadas, misturar metal, funk e rap é só redescobrir a pólvora.

Portanto, o Metallica é minha última referência afetiva no mundo do heavy metal. Quando eles estiveram no Rio em 1989, cobri a entrevista coletiva concedida no Othon Palace. Nela, surpreendi-me com o tamanho dos caras: esperava quatro Obelix, parrudões, e encontrei quatro Asterix, fininhos. O dinamarquês Lars Ulrich, um monstro na bateria, até passou mal com o calor de outubro em Copacabana. Sua poção mágica era um rock pesado e sem teatrinho. Dois dias depois, no Maracanãzinho, chorei com a introdução renascentista da antibelicista “One”, uma obra-prima baseada no livro/filme de Dalton Trumbo, “Johnny vai à guerra”. O livro de 1939, aliás, foi reeditado há pouco no Brasil pela Relume Dumará. A gente aprende mais sobre a Guerra do Iraque nele do que na cobertura da CNN.

“One” é a mais bela das nove faixas do álbum “... and justice for all” (1988), que inclui também “Blackened” e “To live is to die”. Foi esse álbum — duplo em vinil, simples em CD — que marcou o início de uma guinada na carreira de Ulrich, James Hetfield (voz e guitarra), Kirk Hammett (guitarra) e Jason Newsted (baixo, substituto de Cliff Burton, morto num acidente com o ônibus da banda, em 1986). Nele, à santa raiva dos discos anteriores, “Kill’em all” (1983), “Ride the lightning” (1984) e “Master of puppets” (1986), somou-se uma certa preocupação com a melodia, com os climas e com a experimentação. Ou seja, o bastante para começar a irritar os seus fãs mais ortodoxos, acostumados a um thrash metal — o subgênero agitado e marcializado do heavy metal — mais, hã, puro.

Eu, que em junho daquele 1989 tinha vibrado com Chuck Billy, vocalista de outro grupo americano de thrash metal, o Testament, cuspindo para cima, matando a ostra na língua e engolindo tudo de novo, no Circo Voador, passei a gostar ainda mais daquele Metallica de uma ou outra quebrada suave, uma ou outra baladona. Compreendi que elas valorizavam a pauleira predominante. Nessa fase, prolongada até “St. Anger” (sim, Santa Raiva, em inglês), seus membros chegaram a ser chamados de “os Beatles do heavy metal”, expressão nem sempre pronunciada como elogio. Fui apreciando muito todo o resto, de “Metallica” (1991, o da lenta “The unforgiven”) a “S&M” (1999, um ao vivo com cordas!), com especial destaque para a versão de “Tuesday’s gone”, do Lynyrd Skynyrd, no duplo “Garage Inc.” (1998). Esse o longo contexto da minha admiração pelo quarteto.

O problema de “St. Anger” é que nele o Metallica ficou parecido com todo mundo. Isto é, se parece com a multidão de Linkins Bizkits. Há bons momentos, lógico, como a própria faixa-título, “The unnamed feeling” ou “All within my hands”. Predomina, contudo, uma tentativa de “atualização” do thrash metal de antanho para o nu-metal já decadente, com a inserção de uns raps que não ousam dizer seu nome. Antipatizada pela postura antilivre troca de arquivos na internet, criticada por ter amolecido suas guitarras, parece que a turma quis adular as novas gerações de headbangers . A entrada do baixista Robert Trujillo, ex-Suicidal Tendencies, no lugar de Newsted, reforça a idéia de exploração dessa conexão metal-rap. Mais: a bateria do novo CD foi gravada pelo produtor Bob Rock com um som de lata que remete à música industrial. A afinidade teria mão dupla: existe um “tributo industrial” à banda, chamado “The blackest album” (Roadrunner).

Pode parecer contraditório criticar o Metallica por mudar seu som duas semanas depois de elogiar Los Hermanos por mudarem seu som, sei. Há, entretanto, uma diferença: ir em direção à maioria é mais fácil, uma mudança de fora para dentro, imposta pela moda ou o mercado; ir em direção à minoria, sim, isso é ousado, uma mudança de dentro para fora, imposta pela musa. “St. Anger” me decepcionou, tá certo, mas não tenho dúvidas: tão logo o Metallica lance um novo álbum, eu vou estar aqui, ouvindo, refletindo. Para mim, Ulrich, Hetfield, Hammett e o baixista de plantão nunca serão carrascos.

domingo, junho 08, 2003
 
Wildest Dreams

Escute aqui a nova música do Iron Maiden numa versão ao vivo.